Engenharia Genética

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terça-feira, Janeiro 31, 2006

Tudo sobre Engenharia Genética...

História

Os pesquisadores norte-americanos George W.Beadle e Edward L.Tatum, na década de 30, demonstraram a regulação pelos genes da produção de proteínas e enzimas e a consequente intervenção nas reacções dos organismos dos animais. A partir destas pesquisas, teve início o progresso de descoberta da estrutura genética humana.
Oswald T. Avery, em 1944, pesquisando a cadeia molecular do ácido desoxirribonucleico (DNA), descobriu que este é o componente cromossómico que transmite informações genéticas.
Em 1953, os ingleses Francis H. C. Crick, Maurice Wilkins e o norte-americano James D. Watson conseguiram mapear boa parte da estrutura da molécula de DNA.
Em 1961, os franceses François Jacob e Jacques Monod pesquisaram o processo de síntese de proteínas pelas células bacterianas. Descobriram que o principal responsável por essa síntese é o DNA, que passou então a ser o elemento central das pesquisas de engenharia genética.
Em 1972, na Universidade de Stanford, Califórnia, o norte-americano Paul Berg ligou duas cadeias de DNA. Uma era de origem animal, a outra bacteriana. Esta foi a primeira experiência bem sucedida onde foram ligadas duas cadeias genéticas diferentes, e que é considerada por muitos autores o início da criação sintética de produtos de engenharia genética. Em 1978, o suíço Werner Arber e os norte-americanos Daniel Nathans e Hamilton O. Smith foram laureados com o Nobel de Medicina por terem descoberto as enzimas de restrição, substâncias capazes de fragmentar a cadeia de DNA controladamente em pontos específicos, por complementaridade com as bases nucleotídicas.
Iniciou-se, então, a era da manipulação de mensagens genéticas expressas em sequências de fragmentos que compõem o código hereditário, os nucleótidos.
A partir deste momento a engenharia genética passou a cortar ou modificar as moléculas de DNA, utilizando enzimas específicas que reconhecem as mensagens codificadas. As ligases, enzimas que agem para unir a cadeia fragmentada, começaram a ser descobertas e sintetizadas para manipulação genética. A sequência de descobertas cresceu rapidamente, os genes começaram a ser transplantados, e a possibilidade de isolá-los do resto do DNA do organismo de que procedem possibilitou sua sintetização a partir do ácido ribonucleico, o RNAm, do qual depende o código genético. Passou a ser real sua cópia de acordo com a sequência do DNA, portanto, a síntese artificial de diversas substâncias orgânicas também.

Exemplos de produtos oriundos das técnicas de engenharia genética

Alguns exemplos típicos de produtos oriundos do uso de métodos de engenharia genética são:
- a insulina
- os interferonas
- a interleucina
Algumas proteínas do sangue:
- a albumina
- o factor VIII.
- alguns tipos de activadores das defesas orgânicas para o tratamento do cancro, como o factor necrosante de tumores.
A criação de vacinas sintéticas contra:
- malária
- hepatite B
A criação e o desenvolvimento de biotecnologias para a pesquisa segura de substâncias cuja manipulação envolve alto risco biológico:
- vacinas que se preparam com vírus infecciosos, com risco de fuga descontrolado

Aplicações

Umas das mais conhecidas aplicações da engenharia genética são os organismos geneticamente modificados (OGM).
Existem muitas aplicações biotecnológicas da modificação genética, por exemplo as vacinas orais produzidas nas frutas. Isto representa o desenvolvimento das modificações genéticas para os usos médicos e abre uma porta ética para os usos da tecnologia para modificar os genes humanos.
Uma das maiores ambições de alguns grupos de pesquisadores é a possibilidade da melhoria das capacidades humanas físicas e mentais pelo uso da engenharia molecular.

Ética

Pela sua natureza, o desenvolvimento da engenharia genética convive com problemas legais e éticos. Um dos principais factores que exigem um controle estreito da sociedade organizada, e tem gerado polémicas ético-morais, é a manipulação da herança genética de seres vivos com fins eugénicos, ou seja, a depuração da espécie, ou das raças com a finalidade de criar uma espécie, ou raça nova por meios não naturais. Um exemplo típico seriam as mutações controladas, que em determinado momento podem fugir a este controle e resultar na obtenção de microrganismos, ou mesmo organismos com características inexistentes e desconhecidas, como a capacidade de produzir toxinas ou doenças, ou ainda bactérias com resistência a antibióticos, entre outros.
Em 1993, os pesquisadores Robert Stillman e Jerry Hall realizaram a primeira clonagem de embriões humanos. Embora não tenha sido continuada a experiência, houve protestos em todo o mundo. Este facto por si só, criou implicações religiosas e morais. Estas levaram à necessidade de uma regulamentação rígida das pesquisas com embriões humanos. A finalidade é evitar o uso de técnicas de engenharia genética cujo objectivo pode ser a alteração permanente do fenótipo da espécie. Além disso, as técnicas de clonagem podem ser utilizadas para copiar artificialmente indivíduos que apresentem genótipos considerados óptimos para determinados fins (militares, ou mesmo olímpicos por exemplo, com a criação de uma super-raça humana).

Benefícios alegados

Os especialistas das técnicas genéticas actuais enumeram os benefícios que a tecnologia pode ter nas plantas comestíveis. Por exemplo, nas difíceis condições agrícolas dos países em desenvolvimento (também conhecidos como países subdesenvolvidos, ou do Terceiro Mundo). Dizem que, com modificações, as colheitas existentes poderiam prosperar sob as circunstâncias relativamente hostis, fornecendo maiores quantidades de alimento. A ideia do chamado arroz dourado também agrada os peritos, uma variedade geneticamente alterada do arroz, que contém níveis elevados de vitamina A. Existe a esperança que este arroz possa aliviar o défice de vitamina A no Mundo, que contribui para a morte de milhões de pessoas anualmente.
Os peritos afirmam ainda que as colheitas geneticamente projectadas não são significativamente diferentes daquelas modificadas pela Natureza ou pelos seres humanos no passado, e estas que, pela extensão, são tão seguras ou mesmo mais seguras do que o uso de tais métodos. Existe uma transferência de gene entre eucarióticos e procarióticos unicelulares. Até agora ainda não houve catástrofes genéticas resultantes disto.

Efeitos políticos e económicos

Muitos oponentes à engenharia genética actual acreditam que a ascensão do uso de OGM em grandes plantações causou uma poderosa inclinação em agricultura para companhias de biotecnologia, que ganham poder excessivo na produção de comida, e sobre os agricultores que usam os seus produtos também.
Pessoas a favor das técnicas correntes de engenharia genética acreditam que vai diminuir a necessidade de pesticidas e trouxe maior produtividade agrícola para muitos agricultores, incluindo até os dos países em desenvolvimento. As licenças de OGM permitem aos agricultores dos países em desenvolvimento poupar sementes para a plantação do ano seguinte.
By: Catarina